23 de jun de 2011

CHEIRO DE AMOR

 Além dos oceanos
Rios
tempestades violentas/
medo, (...)sensação de esvaziamento arsênico
vida desenhando sonhos inrropidos na insônia
jardins sem flores
além do limite da mente humana
Extraídos de uma expressão desgarrada
sem preconceito/
Ergo-me a cabeça olhando pro céu
geometria edificada do azul profundo
traçados em mãos quentes/
turbilhão de pensamentos enviados (...)
além da capacidade que envolve o cérebro humano
No ultimo vôo transverso de miragens
na sensação de encobri-la de leve
amasso meus fixos seios
traçando passos com minha personagem
numa intensa vibração
balançam cosmos
o suor escorre pela corpo
deixando cheiro de amor pelo caminho.

-Delírios das Borboletas-


Porta fechada

Porta fechada,
deito-me no silêncio.
prazer da solidão.

Vou até às cerejeiras
Dormir sob seus capulhos,
sem deveres.


Fernando Pessoa

O que eu quero! (Paulo Pacheco)

Quero viver,
Quero poder ver a lua cheia,
O por do sol bonito,
Sem que achem estranho.
Quero ver minhas filhas felizes,
Quero minha mãe sorrindo,
Quero que respeito impere,
Quero ver as pessoas vivendo
Sem medo, sem grades.
Quero poder andar na noite quente,
Brincando com um neto nos braços.
Quero poder ajudar quem precisa,
Sem medo de ser uma armadilha.
Quero poder pedir ajuda, se precisar.
Sem temer quem me atenda.
Ah, quero tão pouco!
Quero poder deixar a janela aberta,
Para o sol entrar na minha casa.
Quero o “bom dia” do vizinho,
O sorriso, sem medo, da vizinha idosa.
Quero que o dia de amanhã seja seguro,
Pras crianças que nascem hoje.
Que possam correr, sorrir, aprender,
Sem a ameaça de canalhas.
Que ninguém me veja só como alvo,
Para poder abraçar meus amigos,
Na calçada, na igreja, na rua.
Quero amanhã, me lembrar de hoje com saudade,
Das pessoas que comigo estiveram.
Quero que as pessoas não se matem,
Que as religiões se respeitem.
Que honra, respeito, amor, prevaleçam.
Que o medo, o jugo, a humilhação,
Que a fome, o roubo, a morte insensata,
Sejam só “passado”,
Que tenhamos que temer só a morte natural,
Que é certa na vida.
Que aprendamos com as lições,
Para que a violência inexista no hoje,
No amanhã, no sempre.
Talvez eu seja só um louco, um desvairado,
Apaixonado pela vida.
Talvez, quem sabe??

Construção

Construção

Sou muito mais do que o antes
E menos ainda do que o depois
Sou o que já se forma
O que já se transforma
Sem formas
Sou o que soa
Sou o que se reforma
Sou Pessoa

Da palavra que nasce
Com o próprio jeito
Inovando sempre a cópia
Sou sujeito

Sujeito a tempestades
Sujeito a calmarias
Ora sou inteiro
Ora sou metades

Singular ou plural
Às vezes sou o verbo
O que conjuga
O que consente
O que há, dentro ou fora
Passado e presente
Sou o que sente.

Intuição

Intuição
Os olhos muitas vezes
Não conseguem ver
Qual lado é o certo
Quem tem a razão.

Mas quem se aprofunda
Em seus anseios e angústias
Consegue perceber e sentir
O enlace da intuição.

Ela é uma bússola
Que orienta e guia
Colocando potentes faróis
Iluminando a densa escuridão.

Cada qual tem o seu jeito
De descobrir o caminho
Para mais rápido chegar
Ao ápice dessa exploração.

Mas quem consegue chegar
Descobre um grande tesouro
Com brilho e valor incalculáveis
E que ninguém , nunca, consegue roubar.

- Maria Regina -
(contém açucar)

Poesia em Reflexão



Para que a luz do sol,?
Se olhos cegos não conseguem ver além de si mesmo?...

De que servem coloridas flores ?
Se o que se vê, em preto e branco,
É uma imagem narcísica estampada no espelho?..

Para que sentir o hortelã de uma bala na boca?
Se perdidas e cinzentas, procurando uma vítima,
Voam, sem rumo, no céu de fumaça?

Para que tantos poemas gentis?
Se pessoas endurecidas, correndo atrás da própria vida,
Escutam apenas os gritos do horror?

Uma esperança agoniza no asfalto quente!...
A espera de que passos apressados
parem por um instante somente;
E se possa, então, sentir no ar, que eleva sua alma
o cheiro adocicado de uma poesia ...

- Maria Regina -

Aferidor de Encantamentos

Manoel de Barros
Tenho um aferidor de Encantamentos.
A uma açucena encostada no rosto de uma criança
O meu Aferidor deu nota dez.
A uma fuga de Bach que vi nos olhos de uma criatura
O Aferidor deu nota vinte.
Mas a um homem sozinho no fim de uma estrada
Sentado nas pedras de suas próprias ruínas
O meu Aferidor deu DESENCANTO.
(O mundo é sortido, Senhor, como dizia meu pai.)

- Manoel de Barros -

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