23 de jul de 2011

O PASSAGEIRO...

O passageiro não mora em si mesmo, ele pertence a tudo e a todos.
O passageiro leva em sua bagagem as marcas que ficaram e as lembranças daquelas que deixou.
O passageiro por onde passa observa a vida ao seu redor e procura nas coisas mais obscuras, a luz que deixará para os que vierem atrás.
O passageiro lança seus sentimentos no universo e não espera o resultado. Apenas segue em frente.
O passageiro anula suas vontades e sonhos para resgatar a esperança dos que o rodeiam.
O passageiro vive as amarguras das injustiças mundanas que jogam os excluídos nas calçadas pavimentadas por um capitalismo selvagem.
O passageiro pára às vezes para empunhar um microfone e levar às multidões o seu brado de alerta de que é preciso se levantar.
O passageiro indigna-se com a fome e os direitos universais ceifados pelo sistema, e ignora que os seus próprios direitos sejam ultrajados constantemente.
O passageiro coleciona durante a viagem de sua vida todas as formas de sonhos e vontades incompletas e oferece a sua colcha de retalhos para quem não consegue ao menos sonhar.
O passageiro quando encontra o verdadeiro amor, pensa em parar sua viagem e se acostar à sombra desse amor e sintetizar todos os ideais de sua vida nesse amor.
O passageiro dorme com os olhos da alma abertos, vigiando a esperança por um novo mundo que deseja quando acordar. Não para si, pois é apenas O PASSAGEIRO.

(Wagner Marins)

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De o Osso ao Cachorrinho