12 de set. de 2011

PÃO DE QUEIJO SEM QUEIJO

Ingredientes:4 xícaras de purê de mandioquinha
2 xícaras de polvilho azedo
2 xícaras de polvilho doce
1 colher (sopa) de sal marinho
1/2 xícara de óleo de canola ou girassol
1 xícara de água

Ervas aromáticas a gosto

Modo de Preparo:Cozinhe a mandioquinha e reserve 1 xícara da água usada no cozimento. Numa vasilha, faça o purê e acrescente o óleo, misturando bem. Em outra vasilha, misture o polvilho (doce e azedo) com o sal. Escalde o polvilho com 1 xícara de água quente, proveniente do cozimento da mandioquinha. Esfarele bem o polvilho e misture com o purê. Se desejar, adicione ervas aromáticas. Amasse bem e prepare bolinhas. Leve ao forno médio alto pré-aquecido até dourar.

Observação: a massa dura 7 dias na geladeira.


Fonte: Clinica Adventista Vida Natural

EMPADINHA DE PALMITO E TOFÚ



Ingredientes:

3 colheres de sopa de leite de soja em pó 
2 xícaras de água
1 colher de chá de sal marinho
1 colher de chá de alho
1 colher de sopa de cebola ralada
1 1⁄2 xícara de farinha de trigo
1⁄2 xícara de azeite de oliva
1 colher de fermento biológico instantâneo

Recheio:

1 xícara de molho grosso de tomate temperado
1⁄2 xícara de tofú esmagado
1⁄2 xícara de palmito picadinho
1 colher de sopa de azeite
1 colher de chá de alho
1⁄2 xícara de azeitonas pretas

Modo de Fazer:

Bata todos os ingredientes da massa no liquidificador. Coloque em forminhas de empada untadas até o meio. Acrescente o recheio e cubra com a massa. Coloque as forminhas dentro de uma assadeira e leve ao forno médio até dourar.

Fonte: Clinica Adventista Vida natural

BIFE DE BATATA


Ingredientes:

2 xícaras de purê de batatas 
1⁄2 lata de carne vegetal moída Superbom ou PVT (proteína vegetal)
2 colheres de sopa de cebola ralada 
1 colher de chá de alho amassado 
2 colheres de castanhas ou nozes trituradas 
1 colher de chá de sal marinho

Modo de preparo:

Misturar ao purê com os demais ingredientes. Untar um tabuleiro. Formar os bifinhos com a ajuda de uma colher. Levar ao forno médio e deixar dourar.

Fonte: Clinica Adventista Vida natural

RUI MARTINS A REBELIÃO ROMÂNTICA DA JOVEM GUARDA

 

RUI MARTINS 

A REBELIÃO ROMÂNTICA DA JOVEM GUARDA

Publicado pela Editora Fulgor em 1966 


PREFÁCIO DE: FERNANDO DE AZEVEDO 

FULGOR 
ÍNDICE 

Capítulo I: As rebeliões juvenis contemporâneas   
Capítulo II: Os adultos e sua integração no mundo juvenil
Capítulo III: Razões do declínio da bossa nova  
Capítulo IV: O papel da propaganda na criação de imagens
Capítulo V: Uma música que satisfez a todos  
Capítulo VI: A rebelião romântica da juventude nacional
Capítulo VII:  Apoio e reserva dos adultos aos movimentos juvenis
Capítulo VIII: Os traços conservadores do líder juvenil
(clique aqui para ler os oito capítulos desta obra)

Texto interno da capa
Impressionado com a transformação de um cantor em ídolo de considerável parcela da juventude urbana brasileira, o autor, que é jornalista do Estado de São Paulo, quis saber as determinantes desse comportamento. Depois de uma série de entrevistas com sociólogos e psicólogos da Universidade de São Paulo, publicou, na imprensa paulista, o primeiro trabalho que procurava interpretar a reação juvenil e adulta diante do que se começava a chamar «fenômeno Roberto Carlos». 
Na reportagem, que recebeu o título de «Juventude vive a rebelião romântica», o autor apresentou as diferentes opiniões colhidas, mantendo uma unidade geral. Omitiu, porém, sua própria interpretação para conservar-se fiel aos depoimentos. 
Neste livro, Rui Martins amplia seu primeiro trabalho e, utilizando-se de todo material inicial, enriquecido com novas pesquisas e consultas, expõe, também, sua própria opinião, concluindo pela existência no País de uma rebelião juvenil que não conduz a caminho algum e que, por isso, conta com o apoio dos adultos conservadores. 
Os fatores determinantes dessa rebelião romântica estariam Intimamente ligados com a atual situação social e política brasileira, que não favorece a participação efetiva da mocidade no desenvolvimento nacional. 

Texto da contra-capa
"Mas, quando em torno se faz o vazio e nada convida para lutas... a mocidade tende a procurar, em seus sonhos, o meio de fugir à mediocridade e pasmaceira reinantes. Volta-se a si mesma, sem objetivo e com espírito conservador senão reacionário, para viver sua vida à parte. Nem os adultos se integram na vida das gerações jovens, nem estas se preocupam com a sua participação na dos adultos e velhos. Daí, a "rebelião romântica da jovem guarda", que tão admiravelmente analisa Rui Martins, em poucos capítulos, com a lucidez e segurança de suas observações de fatos, e de suas reflexões sobre ele". 
FERNANDO DE AZEVEDO
Comentários do Barbieri
Eu comprei este livro num sêbo perto da Praça da Sé em São Paulo lá pelo princípio de 1980. Acabei trazendo este livro para Londres onde vivo e, agora faz parte da minha bibliotéca. Para colocá-lo aqui neste site, usando um scanner "escaneei" todas as 79 páginas do livro, mais a capa e, depois usei um programa OCR (optical caracter recognizer) para checar todas as páginas usando um programa de inteligêcia artificial e assim transformar os "scans gráficos" em documentos Microsoft Word. Como o texto do livro foi encrito nos anos 60, com o Word fiz a correção hortográfica. O texto então foi reeditado e colocado neste web site. Todo cuidado foi tomado para evitar problemas hortográficos e de compreenção de  texto. Se o caro leitor encontrar algum problema ficarei feliz em ser comunicado para que possa fazer a devida correção.

Direitos Autorais
Queremos deixar claro que não estamos tendo nenhum benifício econômico com a publicação online deste livro. Nosso intuito é puramente educacional uma vez que este livro está esgotado. Estamos dando os devidos créditos tanto do autor como à editora. Entretanto, se o autor ou a editora tiver alguma objeção quanto a publicação onlide deste material, peço-lhes que comuniquem-se  conosco imediatamente  ( rock@celsobarbieri.co.uk ) para que, com pesar, seja providenciada a retirada deste web site deste documento que consideramos ser de grande importância para aqueles interessados na história da música brasileira.

A história do advogado e quase pastor, que decidiu ser jornalista

Rui Martins 
Rui Martins
A história do advogado e quase pastor, que decidiu ser jornalista
Nascido em Torre de Pedra, próximo a Tatuí, em São Paulo, Rui recebeu esse nome em homenagem a Rui Barbosa e, coincidência ou não, acabou tornando-se também um «homem das letras». Por pouco não se tornou «pastor».  Criado dentro da Igreja Presbiteriana, participava ativamente na comunidade e foi um dos líderes da mocidade na época. Com a ditadura, Rui desligou-se por completo da Igreja Presbiteriana. Ele compartilhava das idéias marxistas, enquanto a igreja uniu-se aos militares e expulsou os seminaristas de esquerda.
Rui decidiu estudar Direito na USP e, enquanto fazia faculdade à noite, trabalhava de dia no Citibank. A seguir, foi assistente de direção do SESC, Serviço Social do Comércio.  «Tive três chefes que eram simpatizantes da esquerda e aprendi muito na convivência e bate-papo com eles», diz o escritor.  Mas o que ele queria mesmo era trabalhar num jornal.  Por meio de um amigo, conseguiu fazer um mês de estágio no jornal Estado de São Paulo. Terminado o período, prometeram lhe chamar. Isso não aconteceu. Teimoso, Rui foi até o jornal levar o convite para sua formatura e fez mais uma tentativa.  Deu certo, recebeu uma oferta. Sem pensar duas vezes, Rui pediu licença no SESC e nunca mais voltou. «Fui para o jornal ganhando 1/3 do meu salário, mas era isso que eu queria fazer», lembra.
Rui estava dois anos no jornal quando publicou o livro «A rebelião romântica da Jovem Guarda» (Fulgor, 1966).  Publicado em plena ditadura, o livro defendia a tese de que Roberto Carlos surgiu para preencher um vazio que havia no país. Músicas como «Quero que vá tudo pro inferno», pregavam uma forma de fugir do real. O jeito de ser da Jovem Guarda contaminou o país e os meios de comunicação ajudaram a criar o fenômeno musical. Essa forma de expressar as frustrações, cassações políticas e incertezas passou a ser um fenômeno sociológico. A análise de Rui sobre o tema foi publicada em uma página no Estadão e o editor da Fulgor (que era ligada ao PC) propôs que ele publicasse um livro a respeito. «Em um mês o livro estava pronto», disse Rui, que marcou assim sua estréia como escritor.  Sua atuação no jornal sempre teve uma pitada de contestação à realidade. Como jornalista que cobria a área estudantil, abrigou em sua casa o líder da União Nacional dos Estudantes, José Luis Guedes e sua família, que estavam sendo perseguidos. Mais tarde foi demitido do jornal por ter comemorado a reação dos vietcongs aos Estados Unidos na Guerra do Vietnam. Assumiu a chefia de redação paulistana do jornal Última Hora do Rio. Perdeu novamente o emprego, em dezembro de 68, ao participar de uma suposta greve de jornalistas. Rui lembra do caso com certo humor: «O Reali Junior, na época no Jornal da Tarde, veio à minha redação pedir apoio para uma greve de jornalistas em São Paulo, que na verdade não acontecia, mas eu acreditei e escrevi para a sede: a imprensa de São Paulo está em greve e nós, como correspondentes em São Paulo também estamos». A resposta veio rápida e curta: «Está demitido!» Numa época em que «ser do contra» dava punição, alguns amigos se preocuparam com a segurança de Rui, temendo que ele fosse preso. Foi quando recebeu uma proposta irrecusável da Embaixada da França: uma bolsa de estudos para Paris para sair do Brasil. Arrumou tudo, saiu do Brasil, deixou a mulher, e se exilou na França. «Saí uma semana antes do seqüestro do embaixador americano, que levou à prisão todo mundo», conta.
Na França, que considera sua segunda pátria, fez seu Mestrado em Jornalismo no Institute Français de Presse e dois anos de doutorado com especialidade em Ciência da Comunicação. «Escrevi algum tempo para o Pasquim e, durante uma época cheguei a ter três bolsas ao mesmo tempo para poder sobreviver», relata. Nas horas vagas, dava aulas de português.
Veio para Genebra, em 1970, pegar uma carta de apresentação de Paulo Freire, que lhe garantiu uma uma bolsa de estudos da CIMADE, em Paris. Ia ser professor de jornalismo em Constantine, na Argélia, mas o contrato furou na última hora. Inscreveu-se para um posto na UNESCO (órgão das Nações Unidas responsável pela área da Educação, Ciência e Cultura), por indicação de Eber Ferrer, mas chegou em segundo lugar e não entrou. Foi uma época difícil em Paris, onde criara nova família e onde nasceram suas duas filhas mais velhas. Era uma vida de restrições e pouco dinheiro.  Por sorte, começou a escrever para a revista Manchete.
Em 1975, em plena administração Geisel, voltou para o Brasil, pois sua esposa tinha muitas saudades. O retorno durou somente nove meses. Como sua esposa tinha sido tesoureira da União Estadual dos Estudantes, um dia os militares do DOI-CODI bateram à sua porta às cinco horas da manhã e a levaram para ser interrogada. Alguns dias de prisão com tortura, acabaram com a perspectiva de uma vida normal em São Paulo e exigiram uma nova saída discreta para começar tudo de novo em Paris. Um amigo lhe conseguiu um emprego pela Abril e, a seguir, Rui trabalhou como correspondente para a Rádio Guaíba, de Porto Alegre.
Em 1980, com um contrato na Rádio Suíça
Internacional, Rui veio morar em Berna, aqui na Suíça. Nessa época conheceu o deputado e escritor Jean Ziegler. «Premiado ou azarão», como ele mesmo diz, ao chegar perto dos cinco anos de trabalho, soube que seu contrato não seria renovado e terminaria no meio do ano letivo das crianças.  Rui foi o primeiro estrangeiro a não ter mais contrato definitivo com a Rádio Suíça, que, em 1985, mudou as regras para os estrangeiros.
Depois de um ano e meio na Holanda, voltou à Suíça para ser correspondente do que seria a CBN e do Estadão.  Seus boletins de rádio tinham, desde a época da Guaíba, um estilo diferente, começando sempre com uma brincadeira, uma frase de efeito e transmitindo muita emoção. O jornalista procurou sempre manter uma interatividade com o ouvinte. Para muitos retransmitia seus boletins por E-mail.  Do tempo na Rádio Suíça Internacional ficou um ressentimento, que custou a desaparecer. «A Suíça me rejeitou e eu rejeitei a Suíça. Tudo o que eu podia, escrevia contra a Suíça. Mudei a imagem de cartão postal que a Suíça tinha no Brasil e contei um lado que não se conhecia », revela o escritor. Rui só venceu esse problema quando abraçou uma nova bandeira: a luta pelas classes bilíngües no cantão de Berna. Tudo começou quando se tornou presidente da Comissão de Pais na escola de suas duas filhas do terceiro casamento. Quando veio a decisão da cidade de Berna de cortar a subvenção para a Escola Cantonal de Língua Francesa (ECLF) ele agitou a imprensa e «dizem que foi por isso que as autoridades bernesas voltaram atrás».
No processo de luta pela escola Rui conheceu os representantes do parlamento da cidade, viu que tinha apoio e que «era possível o diálogo com essa gente que eu antes não queria nem ver». Por isso mesmo ele não cansa de repetir que «a experiência de dirigir uma comissão de pais, lutar para serem ouvidos e o atual projeto de classes colegiais bilíngües com a criação do grupo Francophones de Berne foi a minha integração». «Passei tanto tempo não querendo me integrar que quero salvar os outros disso, no caso os filhos de imigrantes como eu. Precisamos fazer a nossa parte, esperamos que as autoridades correspondam ao nosso desejo de integração», afirma o jornalista. Infelizmente o momento atual não parece muito promissor: «agora vejo que a situação se degringola e o país adota leis racistas contra os estrangeiros».
Essa decepção acaba transparecendo no livro sobre Maluf. «Fui duro nos ataques a essa Suíça. Estou desenterrando de uma outra forma a revolta antiga», conclui.  Mesmo assim, continua ativo na defesa da bandeira das classes bilíngües em Berna e algumas vitórias já estão a caminho. É quase certo que a primeira classe colegial bilingue francês-alemão comece a funcionar a partir de agosto de 2007. «É preciso sempre ousar para transformar uma idéia em realidade», festeja.
Rui acredita que se a imigração nos trouxe até aqui, precisamos nos integrar, para participar mais ativamente da vida no novo país e transmitir as nossas idéias de sociedade.
Mas essa integração deve ser consciente «para que a Suíça, graças aos estrangeiros, possa descobrir o caminho da abertura ao mundo». Pensando no exemplo do futebol, Rui lembra que a grande vitória da França na Copa do Mundo foi a vitória do antiracismo. Para o jornalista, «a Suíça só poderá ter ambições nessa área quando tiver uma seleção colorida».
Outra luta é para que o Brasil reconheça os filhos de pai e/ou mãe brasileiros nascidos no Exterior como brasileiros natos. Seu último artigo a respeito (ver página 16) está sendo republicado nos EUA e foi lembrado nas discussões de Boston sobre imigração brasileira. Seu objetivo é criar um ponto central, um site, que reúna imigrantes brasileiros da Europa, Ásia e EUA para forçar o Brasil a rever sua política com relação à diáspora basileira. (I.Z.)
  CIGA-Brasil - Centro de Integração e Apoio
ANO 7 - NÚMERO 37 - OUTUBRO 2005 - TIRAGEM: 1500 EXEMPLARES
www.cigabrasil.ch

CAPÍTULO VIII OS TRAÇOS CONSERVADORES DO LÍDER JUVENIL

A REBELIÃO ROMÂNTICA DA JOVEM GUARDA
Escrito por Rui Martins
Publicado pela Editora Fulgor em 1966

CAPÍTULO VIII 
OS TRAÇOS CONSERVADORES DO LÍDER JUVENIL 

a) A suposta liberalidade 
Roberto Carlos, o líder da juventude «ié-ié-ié» nacional, embora tenha um modo próprio de se vestir e deixe crescer seus cabelos, agindo numa e noutra forma em desacordo com as convenções sociais, é, no fundo, um jovem conservador. O conhecimento de suas impressões sobre diversos assuntos e de seu comportamento em determinadas circunstâncias especiais não revelam nenhum inconformismo e nenhuma interpretação mais arrojada para os problemas que a sociedade julga já ter dado a última palavra. 
A suposta liberalidade diante dos tabus mantidos pelas gerações passadas não existe. Ele guarda os mesmos preconceitos preservados pelos adultos e, nas entrevistas que concedeu aos mais diversos órgãos de difusão, jamais revelou possuir um espírito renovador ou reformador. Há nele concordância com o pensamento dos mais velhos em todos os assuntos importantes. 
Talvez alguém argumente que essa posição favorável ao pensamento da sociedade constituída seja uma autodefesa. Isto é, para não provocar uma reação que poderia frustrar-lhe o sucesso. Entretanto, essa atitude de autodefesa - se houvesse - confirmaria seu caráter conservador. Nenhum jovem possuidor de interpretações novas, colocado em situação de liderança e crendo em suas idéias, iria preocupar-se em mascarar seu pensamento. Pelo contrário, o desafio e o quixotismo são a característica marcante da mocidade. Há um certo prazer para o jovem rebelde em violentar os esquemas que considera superados. 
Isso não significa que o jovem, pelo simples fato de ser contrário ao convencional, tenha razão. Mas o fato de ele ser contra e de não fazer segredos disso revela a sua juventude. Todos os grandes movimentos de jovens quer na literatura, pintura ou política sempre significaram o rompimento com o que era aceito, dogmàticamente, como verdadeiro. O posterior amadurecimento permitia uma reavaliação da decisão inicial. Entretanto, foi sempre o impulso rebelde da juventude o revitalizador da sociedade que, de tempos em tempos, é assim submetida a um reexame geral. 
A aquiescência aos padrões do mundo em que vive não é,porém, o traço marcante da juventude sadia. Não há dúvida de que essa aceitação satisfaz aos responsáveis pelos destinos da sociedade. Os adultos julgam já ter encontrado a explicação definitiva para as questões da existência e para o comportamento social do homem. Sentem-se seguros quando a geração moça os entende, pois a apresentação de outras explicações sempre lhes é dolorosa. 
Entretanto, o mundo encontra-se em fase de constante transformação pelo que é impossível a manutenção de fórmulas rígidas de comportamento. Dia a dia, novos conhecimentos obrigam a revisão de fatos anteriores, quer no campo da ciência, da técnica ou da própria moral. Verdadeiros tabus das gerações passadas são discutidos abertamente em nosso tempo. Até mesmo a religião reformula suas crenças e <;e readapta para não envelhecer nesse mundo dinâmico. 
Roberto Carlos, porém, não traz nada de novo para a juventude brasileira. Nenhum protesto e nenhuma nova posição, aceitando e enquadrando-se docilmente na estrutura social em funcionamento. Não faz uma crítica, foge delas. E para a juventude desorientada das grandes cidades oferece apenas uma alternativa: cantar e dançar o «ié-ié-ié». 

b) A manutenção dos tabus 
Suas preocupações são todas de ordem externa. Para deixar-se fotografar, demora bem uns dez minutos ajeitando os cabelos, enquanto revela um desusado requinte no trajar. Nas questões de ordem interna suas posições são retrógradas, refletindo, exatamente o pensamento da geração passada. 
Suas expectativas diante da mulher não têm nada em comum com o pensamento moderno. Para ele, a mulher deve ser feminina e simples, não sendo essencial a. inteligência. Ora, por ser feminina se entende fragilidade, fraqueza e capacidade de sujeição; ser simples, significa ser de manejo fácil, com muita docilidade e por achar que a mulher deve ter pouca inteligência entende-se ser ele partidário da velha escola que não exigia da mulher grandes dotes intelectuais, pois o homem é quem deveria resolver sempre pelos dois. 
Sobre a igualdade dos direitos da mulher, Roberto Carlos tem duas atitudes. Pela teórica, não ergue qualquer obstáculo a essa conquista. Mas na prática, é bem diferente. Respondendo a uma jornalista sobre a questão, o jovem rebelde demonstrou estar comprometido com todos os preconceitos que tolhem e marginalizam a mulher. Sua posição sobre a virgindade feminina é tão conservadora e convencional como a de qualquer respeitável senhor. 
Não enfrenta o problema, e embora afirme que, na nossa época, virgindade não é mais importante, continua achando que as moças bem educadas casam virgens. Entretanto, não mais existindo a virgindade (no sentido físico), não há mais necessidade de preocupar-se com ela (no sentido moral). Ele é, portanto, um defensor das teorias de nossos avós, embora pareça liderar posições mais evoluídas. Por último, parece achar que o homem é polígamo por natureza, pelo que as mulheres devem se conformar com essa realidade. 
Quanto aos problemas gerais da humanidade, o líder juvenil não demonstra maior interesse. Está feliz no seu universo familiar e mais ainda com o sucesso que lhe tem proporcionado uma sensação de realização pessoal. Pobreza, miséria, injustiça, insegurança, ameaça de guerra são preocupações que, às vezes, lhe vêm à cabeça quando lê jornais. Não é, porém, seu costume ler muitos jornais. E como não se demora na análise desses temas não tem qualquer opinião formada sobre eles. 
Sobre os nossos próprios problemas tem reação idêntica. Em síntese, não tem qualquer interesse pelas questões que chama, para se justificar, de problemas de adultos. Não sabe direito quem é o seu homônimo Roberto Campos, nem quem é governador em Minas ou o que seja Congresso Nacional. 
Informado apenas por revistas infantis, não se interessa por saber e não sabe o que se passa no Vietnã, guardando sérias reservas quanto à possibilidade de o homem chegar à Lua. É contudo, o líder de uma grande parcela da geração que assiste o desenvolvimento da técnica e que poderia ser a primeira a interessar-se pela extraordinária conquista do nosso século, como será o desembarque do homem na Lua. 
Deixa, inclusive, de ter semelhanças com o conjunto dos «Beatles», ao demonstrar seu desinteresse pelo mundo em que vive. Isto porque o conhecido conjunto inglês, em recente entrevista concedida em Tóquio, tomou posição numa das mais controvertidas questões internacionais. Interrogados sobre o que achavam da política norte-americana no Vietnã, os «Beatles» afirmaram que os Estados Unidos nada têm a fazer naquela região do sudeste asiático, tendo John Lennon - um dos quatro afirmado que eles pensam todos os dias nisso e que não concordam com o que está acontecendo. 

c) Lideranças sem perspectivas 
Na realidade, Roberto Carlos surgiu porque, à semelhança da disponibilidade - de liderança existente entre os adultos, ocorre outra entre os jovens. Há um desacerto, uma insegurança e uma falta de perspectiva para a juventude brasileira, ainda sofrendo as restrições de má formação cultural e sujeita aos choques familiares, pois os adultos insistem em manter padrões superados de comportamento, diante de uma nova realidade social. 
Escasseiam os líderes juvenis capazes, porque só se é líder quando se tem segurança. Apesar de sua ingenuidade diante da existência e de sua irresponsabilidade, Roberto Carlos está seguro nos padrões familiares que lhe foram legados. Os demais jovens, mesmo os intelectualizados, têm dúvidas e por isso não lideram. Outros são líderes apenas para grupos reduzidos, porque sua mensagem é muito elevada para ser entendida pela maioria. 
A conclusão de que Roberto Carlos encarna o espírito conservador e, por isso, exerce uma liderança aceita como benéfica pela sociedade constituída, chegou também o juiz da 12.a Vara Criminal de São Paulo, ao julgar o episódio em que o cantor teve de fazer alguns disparos para se livrar da ameaça de malfeitores. 
Citando inclusive alguns trechos de nossa reportagem «Juventude vive a rebelião romântica», publicada no jornal O Estado de São Paulo, e outros do jornalista Roberto Freire, foi o seguinte o despacho do meritíssimo juiz: 
«O moço, ao qual grande parte dos adolescente dedica intensa veneração, é fenômeno no momento, merecendo um estudo profundo dos entendidos. É claro que não é nos limites de uma sentença que se há de estudar sua personalidade. Psicanalistas e conhecedores das manifestações e relações sociais afirmam que este rapaz e todos os seus seguidores são jovens que adotaram a rebeldia do protesto. Eles têm nos «Beatles» um símbolo maravilhoso de rebelião contra a sociedade dos adultos. Esclarecem ainda que uma das causas dominantes do processo é o choque das gerações. Os mais velhos estão sempre em oposição ao que é novo, pois não querem abrir mão do que têm, sobre o que fundamentaram e justificaram toda a sua existência. Os antigos repelem tudo o que foge aos padrões tradicionais. 
Mas para ser o líder de uma parcela da mocidade, Roberto Carlos revelou-se possuidor de uma simpatia cativante. Para as moças o seu olhar triste, um ar de desamparado, mais o fato de ter sofrido um acidente e de parecer muito bom para seus colegas, provocam sempre uma atitude maternal. A música que interpreta pessoalmente assinala um espírito de revolta da juventude. Mas esta manifestação, pela sua falta de agressividade efetiva à sociedade estruturada, adquire feições típicas de uma rebelião romântica, consentida, permitida e até estimulada pelo mundo dos adultos. 
A influência que exerce sobre os que o seguem passa a ser benéfica. Pelo menos, até o presente momento, nota-se grande afabilidade de todos os que o cercam em torno de suas ações. Isto se poderá verificar facilmente. Em todas as manifestações de personalidades marcantes na vida social e política, a tônica é a da amizade e apreço pelo cantor. O Cardeal D. Agnelo Rossi o recebeu com muita cordialidade. A Câmara Municipal de São Paulo já lhe concedeu o título de Cidadão Paulistano. 
Sem dúvida, tais fatos revelam uma pessoa orientada para o bem. E, agora, a campanha que realiza em benefício dos pobres, conseguindo-lhes agasalho, alcança intensa repercussão pública.» 
Entretanto, apesar de todas as manifestações favoráveis ao jovem cantor parece que num ponto há concordância geral: sua liderança não apresenta quaisquer perspectivas para a mocidade. Talvez pelo fato de ele mesmo não se ter convencido da influência que poderia desempenhar entre uma juventude urbana que procura se encontrar. Ou ainda pela simples circunstância de não estar preparado para essa responsabilidade, pelo que seu movimento adquire feições apenas comerciais.

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