29 de jun. de 2011

Um Carvalho

Cesário Guedes da Costa*
Eis o pai da montanha, o bíblico Moisés
Vegetal!
Fala com Deus também, deste Sinai
De granito...
Dele recebeu a graça natural
De ter formas reais e ser um mito.

Forte como um destino,
Calmo como um pastor.
A sarça-ardente é quando o sol, a pino,
O inunda de seiva e de calor.

Barbas, rugas e veias
De gigante.
Mas, sobretudo, braços!
Longos e negros desmedidos traços,
Gestos solenes duma fé constante...

Folhas verdes à volta do desejo
Que amadurece.
E nos olhos a prece
Da eternidade.
Eis o pai da montanha, o fálico pagão
Que se veste de neve, e guarda a mocidade
No coração!

Miguel Torga
1950
Publicado no facebook grupo amigos por: *Cesário Guedes da Costa

O Tamanho de Um Sonho


Um dia uma criança chegou diante de um pensador e perguntou-lhe:
”Que tamanho tem o universo?”
Acariciando a cabeça da criança,ele olhou para o infinito e respondeu:
”O universo tem o tamanho do seu mundo.
”Perturbada,ela novamente indagou:
”Que tamanho tem meu mundo?”
O pensador respondeu:
”Tem o tamanho dos seus sonhos.
”Se seus sonhos são pequenos,sua visão será pequena,
suas metas serão limitadas,
seus alvos serão diminutos,
sua estrada será estreita,
sua capacidade de suportar as tormentas será frágil.
Os sonhos regam a existência com sentido.
Se seus sonhos são frágeis,sua comida não terá sabor,
suas primaveras não terão flores,
suas manhãs não terão orvalho,
sua emoção não terá romances.
A presença dos sonhos transforma os miseráveis em reis,
faz dos idosos,jovens,
e a ausência deles transforma milionários em mendigos
faz dos jovens idosos.
Os sonhos trazem saúde para a emoção,
equipam o frágil para ser autor da sua história,
fazem os tímidos terem golpes de ousadia
e os derrotados serem construtores de oportunidades.
Sonhe!"

- Augusto Cury -

28 de jun. de 2011

Oração

Senhor, no silêncio deste dia que amanhece, venho pedir-Te a paz, a sabedoria, a força. Quero ver hoje o mundo com os olhos cheios de amor, ser paciente, compreensivo, manso e prudente. Ver além das aparências Teus filhos como Tu mesmo os vês e, assim, ver senão o bem em cada um. Cerra meus ouvidos a toda calúnia. Guarda minha língua de toda maldade. Que só de bênçãos se encha meu espírito; que todos os que a mim se achegarem sintam a Tua presença. Reveste-me da Tua beleza, Senhor, e que, no decurso deste dia, eu Te revele a todos.

27 de jun. de 2011

O inacabado em mim...

O INACABADO QUE HÁ EM MIM.

Eu me experimento inacabado. Da obra, o rascunho. Do gesto, o que não termina.

Sou como o rio em processo de vir a ser. A confluência de outras águas e o encontro com filhos de outras nascentes o tornam outro. O rio é a mistura de pequenos encontros. Eu sou feito de águas, muitas águas. Também recebo afluentes e com eles me transformo,

O que sai de mim cada vez que amo? O que em mim acontece quando me deparo com a dor que não é minha, mas que pela força do olhar que me fita vem morar em mim? Eu me transformo em outros? Eu vivo para saber. O que do outro recebo leva tempo para ser decifrado. O que sei é que a vida me afeta com seu poder de vivência. Empurra-me para reações inusitadas, tão cheias de sentidos ocultos. Cultivo em mim o acúmulo de muitos mundos.

Por vezes o cansaço me faz querer parar. Sensação de que já vivi mais do que meu coração suporta. Os encontros são muitos; as pessoas também. As chegadas e partidas se misturam e confundem o coração. É nesta hora em que me pego alimentando sonhos de cotidianos estreitos, previsíveis.

Mas quando me enxergo na perspectiva de selar o passaporte e cancelar as saídas, eis que me aproximo de uma tristeza infértil.

Melhor mesmo é continuar na esperança de confluências futuras. Viver para sorver os novos rios que virão.

Eu sou inacabado. Preciso continuar.

Se a mim for concedido o direito de pausas repositoras, então já anuncio que eu continuo na vida. A trama de minha criatividade depende deste contraste, deste inacabado que há em mim. Um dia sou multidão; no outro sou solidão. Não quero ser multidão todo dia. Num dia experimento o frescor da amizade; no outro a febre que me faz querer ser só. Eu sou assim. Sem culpas.

Josilene Pinheiro segunda, 27 de junho de 2011

26 de jun. de 2011

Reticências



Adoro reticências!
Aqueles três pontos intermitentes
que insistem em dizer que nada está fechado,
que nada acabou,
que algo sempre está por vir!...
A vida se faz assim!
Nada pronto, nada definido.
Tudo sempre em construção.
Tudo ainda por se dizer...
Nascendo...
Brotando...
Sublimando...
Vivo assim...
Numa eterna reticência...
Para que colocar ponto final
?

Refletido



Refletido
Algumas palavras me vestem
Outras me desnudam...

Alguns abraços me retêm
Outros me libertam...

Sem sentido
Sem ter sido
Sem ser, fito
Refletido

Maria Regina

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De o Osso ao Cachorrinho